sábado, 23 de julho de 2016

Um Cafezinho retrô



   Eu sou um ermitão, confesso que só saio para trabalhar e pagar contas. Quase nunca saio a lazer e, mesmo quando o faço, levo muito a sério a saída. Por isso não publico coisas como bares e lanchonetes retrô em Goiânia, até porque são bem poucas as de que ouvi falar, mas tentarei mudar um pouco isso.


    Começo pela apresentação do Luiz Café Conceito. Voltava de um encontro livre de rat e hot rod com meu amigo Sérgio, em seu indefectível Escort XR3 conversível, com a capota baixa. Ele decidiu me mostrar onde será o encontro de bicicletas antigas e customizadas que se dará na semana que vem, no citado café.

    
    Logo na entrada há uma bicicleta customizada em estilo retrô low rider, toda cobreada, com o falso tanque estilizado como nas dos anos 1950, só que anguloso e acompanhando o alongamento da bicicleta. Por si só já chama atenção para o café. E por chamar atenção, precisa ficar acorrentada... Coisas de quem sabe em que país mora.


    Por dentro é tudo muito autêntico, de uma rusticidade refinada, como na antiga aristocracia rural inglesa. A madeira aparente, a simplicidade dos elementos, a despretensão de parecer um lugar chique, finda por tornar o ambiente chique. Há uma música ambiente muito relaxante.


    O mobiliário inclui um piano de armário, que cliquei tentando não incomodar o cliente que lia concentrado o seu livro, e parecia estar imerso mundo que lia no momento. Decerto que o ambiente oferecido, cobrado com justiça, corroborou para esse imersão literária.


    Atrás dele, em uma photo que saiu borrada, podemos identificar um sofá. Não um sofá de design, algo raro ou de materiais exóticos. Um simples sofá desses que encontrávamos muito nas casas de classe média baixa, até meados dos anos 1980. Mas que utilidade teria um sofá em um café, perguntaria um leitor que acaba de descobrir o universo vintage? Serve para duas pessoas conversarem com mais intimidade, enquanto saboreiam seu café, sentindo-se como na casa da mamãe.


    Um relógio na parede contraria o que se entende por negócio moderno, ele funciona e marca as horas certas! Há duas estantes que o ladeiam, fixadas na parede, repletas de objectos que remetem realmente àquelas casinhas de adobe de nossas avós, como no tempo em que a rua em que nasci era passada de boiada...


    Isso pode causar estranheza porque, por este relógio, as pessoas sabem se está muito tarde e podem decidir não consumir mais, para não se atrasarem para seja lá o que for. Como vêem nas photos, é um relógio relativamente grande e chamativo. Sua presença é muito valorizada pelos enfeites das estantes rústicas entre as quais está. Lembremos que é um café, não um shopping center. Para quem preferir, há um ambiente externo, este contava com vários clientes no momento.

     Uma dica que aprendi nesta noite, com o rapaz que nos atendeu, é a ingestão de um pouco de  água com gás, antes de tomar o café. Ela limpa o paladar e aumenta o sabor da bebida, aumentando também o prazer de um apreciador. Eu não tomo café há anos, quando precisei tomar novamente um gole, para não fazer desfeita, passei mal, então confiei nas reações do Sérgio.

    Provavelmente por isso não está sempre cheio. Embora eu tenha sentido falta de alguns elementos que a concorrência saberá explorar, como salgados, mesmo que mais refinados e justificadamente mais caros, o estabelecimento merece uma visita, porque o cardápio vai bem além do trivial cafezinho expresso. Mas isso é para quando tiver mais tempo, com uma boa companhia, de preferência.

    O que pode acontecer logo, na semana que vem, quando teremos o encontro das bicicletas, para um público mais selecto e aberto aos prazeres mais refinados, que esta cidade não trata com o respeito merecido. Ser rústico não significa ser grosso, certo? Certo. Agora, vocês devem estar perguntando se aquilo, naquela photo vertical borrada é um cabide de chapéus. Sim, é. Eu uso chapéu no dia a dia, então vocês podem deduzir o quanto gostei do ambiente.


    O evento será no próximo sábado, dia 30 de Julho, à tarde. Para quem estiver em Goiânia na ocasião, o Luiz Café Conceito fica na Rua 32A, no Setor Aeroporto, quase esquina com a 9A. Eventos com bicicletas antigas são sempre um bom motivo para sair de casa e voltar com muitas histórias para contar.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Violeta vitoriosa


    Das colinas da Nova Zelândia, veio uma garota que decidiu não seguir os padrões esquálidos e insalubres de muitas de suas conhecidas. Decidida a tornar-se dona de seu nariz, e que narizinho lindo, rendeu-se de paixão à cultura da era de ouro americana, passando a vestir-se, maquiar-se e viver de acordo com seu sonho de vida.


    Vocês sabem, aquele continente não é exactamente o mais frio do mundo, na verdade pode ser bem quente no verão, por isso o uso de saias e vestidos longos pode soar  muito anacrônico, especialmente quanto todos ao redor estão com seus corpos à mostra, sendo tostados pela radiação ultravioleta, que tem sido ultraviolenta para o novíssimo mundo.


    A cabeleireira bonita de curvas generosas não tardou a chamar a atenção do público, fazendo de sua aparência o próprio cartão de visitas, conquistando clientes fieis para seu salão de beleza. e de beleza ela entende!

    Não basta ser bela para manter a clientela, é preciso ter competência, que Violet aplica no próprio visual. Ela tem tutoriais em seus canais. Faz questão não só de testar e indicar novos cosméticos, ensina como usá-los da melhor forma possível. Que mais? As clientes fazem questão de posar para mostrar os resultados e a comparação de antes e depois de passar por suas mãos de fada.

    Não tardou também a ser requisitada como modelo de moda retrô, chegando a posar sensualmente em corseletes e espartilhos que só fazem acentuar as proporções de seus dotes, mas tudo com cuidado, essas peça não são para uso cotidiano. Mas como ficam bem naquela mulher, meu Deus! Ela parece ter saído da Hollywood de 1952 para o mundo sem graça que nos cerca e agride hoje!

    Quando falo em sensualidade, não me refiro às poses ginecológicas e de "sarjeta chique" que a demência dos "estilistas" tornou tão comuns nos ensaios de moda da actualidade. Ela preza, a despeito das críticas que moças "activistas" lhe dirigem, a feminilidade e a elegância. Deve ser inveja! Quem está seguro de suas escolhas, não ataca as alheias. Especialmente porque ela faz questão de dizer com alegria que é casada, enche a boca, digo, o teclado para escrever "MY HUSBAND" e "MY HANDSOME MAN". Algo importante para não deixar florescer esperanças em rapazes arrebatados por sua beleza clássica.


    O marido, aliás, tão apaixonado pela jovem esposa quanto ela é pela vida que escolheu, comprou seu sonho e o vive consigo, viajando pelo mundo a acompanhar sua amada em eventos retrô e vintage, dos quais ela coleciona títulos, amizades e histórias com outras pin-ups contemporâneas. Ela é habitué nos eventos americanos, figura fácil no clássico e tradicional Viva Las Vegas, onde é rapidamente reconhecida pelo público.

    Não se trata de uma garota encantada por uma moda, ela vive os anos 1950! Sua fidelidade à época é tamanha, que só a qualidade das photos pode (ou não) dizer que trata-se de uma imagem contemporânea, porque a doçura do gestuário é típica do que se praticava na época. Claro que vocês sabem, mas não custa relembrar, o mel tem ferrões a guardá-lo. Ela já baniu de seu perfil gente que insistia em criticá-la pelo que fazia ao seu corpo(!), aquele tipo de gente que prega justamente palavras de ordem do tipo "meu corpo, minhas regras".

    Então a opção de vida e estilo tornou-se um complementar meio de vida, e os convites para ensaios por marcas tornaram-se muitos, mas muitos mesmo, a ponto de Violet tornar-se referência na cultura vintage. A morena recentemente tingiu de ruivo suas madeixas, causando estranheza no começo, mas seus seguidores, admiradores e secretos apaixonados não deixaram por isso de enxergar seus encantos, agora mais luminosos.

    Ontem, dia 19 de Julho de 2016, ela sofreu um acidente, seu carro foi abalroado na traseira, chegou-se a pensar que tivesse quebrado as pernas. Felizmente um alarme falso, seguido de centenas de protestos dos fãs que amealhou, sendo doce e meiga com quem faz por merecer seu carinho. Ela encoraja sem pudores quem quer aderir ao estilo, encoraja e pede photos para ver a transformação de uma pessoa alegre normal em uma pessoa feliz que incomoda os haters.


    Sem mais, ainda com os cabelos ao natural, conheçam a doce, severa e maravilhosa Miss Victory Violet! Tentem não babar muito, por favor!


Website da moça, clicar aqui.
Facebook da diva, clicar aqui.
Youtube da gloriosa, clicar aqui.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Interclubes de veículos antigos


    Neste Julho o último domingo coincide com o último dia do mês. É quando acontece há mais de quinze anos, o encontro interclubes de veículos antigos, capitaneado pelo CVAGO, Clube do Veículo Antigo de Goiás.


    O evento trocou de lugar várias vezes, desde os primeiros encontros improvisados na Praça Cívica, ainda nos anos noventa, quando era apenas o "Clube do Fordinho". Hoje é um dos clubes de veículos antigos mais respeitados do mundo inteiro, apesar de ainda ser modesto, em relação aos pares de outros países.


    Um dos "poderes" de um clube assim, é a emissão do certificado de originalidade, antes exclusividade dos clubes filiados à Federação Brasileira de Veículos Antigos, que é filiada à Federação Internacional. Infelizmente o lobby político permitiu que clubes de fachada pudessem vender o certificado, criando assim a versão bizarra da Placa Preta, a Placa Treta.


    A Placa Preta é concedida a quem mantém um mínimo de 85% de ítens originais. Pode parecer pouco, mas o motor inteiro é um ítem, o estofamento inteiro é um ítem, enfim, na prática o carro tem que ser quase cem por cento fiel ao original de fábrica.

    Carros que vocês pensavam ter sido todos completamente destruídos pelas corridas de demolição dos anos oitenta, ou virado  parafuso e tampa de panela em siderúrgicas, estão sendo resgatados, alguns do ferro-velho, e transformados em rat-rods, hot-rods, street-rods e carros de coleção dignos de exposição em museus.


    Os clássicos americanos que a maioria acredita só existir em filmes da Sessão da Tarde ou em séries de época, costumam dar as caras. E Opalas, muitos Opalas! Há dois clubes só para o Opel Rekord alemão com motores quatro e seis cilindros americanos. Há um clube só para Fuscas e derivados, desde que mantidas as características básicas de motor traseiro refrigerado a ar.


    Não é, porém, apenas carro que aparece nos encontros, que hoje engloba seis clubes oficiais. Há também venda de peças e antiguidades, que tem crescido na mesma proporção do público e do número de veículos expostos, o que tem feito o Cepal do Setor Sul ficar cada vez mais apertado.


    A memorabilia tem crescido e se diversificado, com abajures, som automotivo de época, brinquedos com alta preservação, câmeras photographicas de antes da segunda guerra, vitrolas, discos de vinil originais de época, ferros de passar roupa tocados a carvão, telephones de manivela e por aí vai. É frustrante não ser rico, nessas horas.


    Enfim, se vocês estiverem em Goiânia no próximo dia 31 de Julho, dêem uma passada pelo Cepal, na rua 115, no Setor Sul. É grátis, é sadio, é familiar, é vintage!


    Todas as photos são de minha autoria, foram feitas no último encontro, dia 26 de Junho deste ano.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Festa de criança



  Só passando para mostrar o quanto as crianças também podem se encantar com o estilo retrô, especialmente os encantadores anos 1950. Dou como exemplo, primeiro, a festinha de aniversário de Anabelle com Maryellen como inspiração, essa criança adorável com uma indisfarçável carinha de quem quebra aquele jarro caríssimo, depois pergunta à mãe se ele a ama.

  O sorriso fechando os olhos é o que mais atesta a autenticidade e, portanto, o desejo da petiz de que esse deveria ser o tema de sua festa. Alguns de vocês devem estar surpresos, porque crianças geralmente escolhem temas da moda; afirmo que é uma assertiva falsa! Crianças escolhem o que gostam dentro daquilo que conhecem e sabem que serão respeitadas. A maioria das crianças de hoje não tem idéia do que era o mundo nos anos oitenta, imagine no meio de século!

  Se a criança escolhe baixarias ou qualquer outra porcaria midiática, é porque foi o que lhe apresentaram e sabe que é o que lhe dará aceitação dentro da família e da comunidade em que vive. Se ser agressiva e rude lhe der isso, é o que ela vai escolher! Anabelle escolheu os anos dourados simplesmente porque os conheceu, por intermédio dos adultos, e sabia que isso não lhe faria passar por constrangimentos depois; Psicologia não é autoajuda fajuta, meus amigos. Não se guiem pelo óbvio, ele pode parecer sensato, mas quase sempre é só o teu ego falando lá do fundo do subconsciente para evitar traumas.

  Notem que foi tudo muito bem produzido, mas absolutamente nada caro demais. O tema foi Diner anos 50, e ela posa de garçonete, deixando claro que fez o serviço para seus convidados.

  Para os acepipes, escolheram o Thunderbird 1957 de papelão, que certamente se prestou como lembrança para alguns dos presentes, especialmente os que viveram essa época.

  Exceto a pequena jukebox, tudo que há sobre a mesa é fácil de encontrar, pronto ou por encomenda a alguma gráfica, mas mesmo ela, que foi um belo presente à garotinha de bom gosto, pode ser encontrada em lojas de importados em bons shoppings. Uma de verdade pode custar de US$ 1.000,00 a US$ 15.000,00, então foi a pequenininha mesmo.

  O toque mágico está nas bonecas vestidas a caráter, que certamente vão embalar os devaneios vintagistas de Anabelle por muitos anos, senão por toda a vida. Nada de extraordinário, nada que obrigue a fazer um empréstimo para uma matinê de luxo, tudo de papelão e varetas de bambu. O lanche principal, muito calórico, é o típico da juventude da época. Ah, vá! De vez em quando não faz mal! Dê ouvidos ao nutricionista, não a colunistas que fazem apologia à anorexia e berram contra o sistema que os sustenta, mas nada fazem para consertar.


  O problema é quando essas guloseimas se tornam refeições cotidianas. Além do mais, a festinha teve música, ninguém ficou parado, vendo bobagem na televisão enquanto mastigava letargicamente algo que seriam incapazes de dizer o que é. As calorias foram devidamente queimadas.

  Para mais detalhes desta e de mais festas retrô, cliquem aqui, no Lynlee's e sejam felizes. Vomitar arco-íris não faz mal a ninguém.

ERRATA!!! Estou ficando gagá, troquei o nome da aniversariante pelo da personagem. Já corrigido.

terça-feira, 26 de abril de 2016

A falência do design - os carros


  Não foi uma só, foram várias vezes em que li e ouvi gente reclamando da falta de interesse das crianças pelos automóveis. A questão chegou a suscitar uma nova linha de catastrofistas, os que dizem que o fim do automóvel está próximo. Um teste recente nos Estados Unidos demonstrou isso, garotos na primeira infância se mostraram indiferentes aos carros apresentados, à exceção do Nissan Leaf. O  eléctrico puro da Nissan é o plug-in mais vendido no mundo, de cara ele chama atenção pelo desenho completamente diferente dos outros, alguns elementos chegam a remeter aos carros populares dos anos sessenta. Aliás, houve época em que a Nissan era chegara ao design retrô!

  Há cerca de dez ou quinze anos, as crianças conseguiriam identificar seus preferidos sem maiores dificuldades, mas isso porque houve uma tentativa de retomar a personalidade estética, como a linha Chrysler de então, que parecia uma linha de naves espaciais. Há trinta anos seria um esforço desnecessário, mesmo com desenhos bem mais simples do que de outras épocas, era fácil distinguir um Mercedes-Benz de um Volkswagen, um Ford de um Chevrolet, uma Honda de uma Yamaha. Hoje vivemos uma era de medo de fracassar, mesmo o que parece ser diferente, nada mais é do que uma caricatura do que já existe. carro tem que ser agressivo, cheio de penduricalhos feios e inúteis, de preferência ser um (arg) SUV de péssima aerodinâmica e ausente de personalidade. Quem já viveu entre Veraneio, Rural Willys/Ford e a Kombi jarrinha, sabe do que estou falando.


  Não é de se estranhar que petizes em tenra idade arreganhem sorrisos ao verem um DKW passando, mesmo o Fusca, ainda com mais de dois milhões de exemplares rodando pelo país, provoca mais comoção do que um carro "fodão badass" com rodas desnecessariamente grandes, grades exageradas e sem qualquer harmonia estética, enfim. Os carros, especialmente populares, são pouco mais do que cópias e colas de seus concorrentes. A argumentação da segurança e das conveniências de conectividade, estão atraindo quem não dá a mínima para carros, quem gosta deles entra em um Corcel 1976 sabendo dos riscos que corre. Já consultei um engenheiro mecânico, um ex-professor de tecnologia mecânica e dá sim para colocar airbag e toda a parafernália electrônica em um carro antigo, os gastos não superariam o que muita gente desembolsa para arruinar um clássico apto à placa preta.

  E por falar nisso, algumas montadoras estão dando o tiro no pé de decretar que os acidentes podem ser eliminados, se as pessoas forem simplesmente conduzidas por carros autônomos. Não nego que em caso de embriagues ou problemas de saúde, é bom contar com esse recurso, mas simplesmente tirar o controle de seu destino de suas mãos, meu amigo, vai contra o maior sentido de existir de um automóvel, que é a liberdade. Não vou falar aqui, não agora, dos danos que essa fomentação da preguiça e do individualismo pode causar, porque deixar-se controlar por um robô vai desestimular até olhar pela janela, em caminhos percorridos diariamente. E lamento informar, a perfeição não existe no orbe dos homens, cedo ou tarde a máquina falha, para de funcionar ou te leva para o lado errado, como para cima de um poste... Ou de uma criança na calçada. Basta dar pau, o que já é comum em nossos carrinhos control+C-control+V. Diga-se de passagem, os comerciais de carros seguem a mesma idiotice do design, ou da falta dele. Ah, sim, e a Ford perdeu um potencial cliente ao declarar que não quer tiozão dirigindo seus carros, motivo pelo qual renomeou o Focus sedan com um nome idiota de apelo"jovem".

  No Brasil há ainda o agravante da escassez de cores, que concessionários impõe para poupar gastos com estoques, divulgando que essa ou aquela cor é mais fácil de revender. Fica estranho ver caminhões saindo das fábricas com cores vivas, bonitas e irradiantes, enquanto carros de passeio se concentram em tons de cinza. Ninguém era depreciado por andar em um Opala verde intenso. Houve época em que a Chevrolet oferecia até pintura em dois tons, extinta em 1989, na última remodelação do Opala. Preciso dizer que esse opcional tornou-se um clássico? Pois já disse. Alguns tons de amarelo eram tão escandalosos, que doíam nos olhos. Cor viva ser exclusiva de falsos esportivos e (arg) SUV de araque, é tendência tão recente quanto imbecil. Vejam só, carros maiores têm cores fortes, os pequenos, que mais precisam ser vistos no trânsito, têm quinhentos tons de cinza.


  E não é só no exterior, o interior dos carros era completamente diferente dos concorrentes, muitas vezes uma marca tinha um estilo próprio para cada família de carros. Era fácil identificar se havia entrado em um Chevette, um Kadett, um Monza ou um Opala; todos da mesma marca. Bastava abrir os olhos e todos os elementos de estilo saltavam aos olhos. Tente fazer isso nos Chevrolets nacionais de hoje. Imagine as linhas Fiat Volks da época, que tinham carros de várias épocas e concepções dividindo as mesmas fábricas! Era um desbunde, um colírio sobre rodas!
  Sempre foi um problema localizar um carro em um estacionamento grande, como o de um shopping center, mas hoje é um verdadeiro pesadelo. É como se o mundo fosse preto e branco com baixa resolução.

  Em parte pé por isso que os chineses estão comendo fatias do mercado ocidental. Os modelos vendidos aqui usam plataformas de carros ocidentais, com todas as normas de segurança que cada país exige, só que sem os custos de desenvolvimento de um automóvel novo. Se é para comprar uma coisa sem personalidade, que vai durar pouco e se rasgar só de encostar em um carro dos anos oitenta, não há dúvidas em escolher o mais barato. Se a tal "racionalidade" é tudo o que importa, então o preço é um argumento mais poderoso do que conforto e prazer de dirigir... Aliás, ir de ônibus é um argumento melhor... Vida cinzenta! Melhor morrer feliz, sério!

  Um amigo, dono de um belo Escort XR3 conversível, creio que ano 1986, que chama atenção por onde passa, contou de dois episódios que vão arrepiar quem decora os discursos dos fabricantes e dos engenheiros de escritório com ar condicionado:
  No primeiro um Hyundai HB20 bateu na lateral e saiu esfregando no Escort. Ele saiu para ver os prejuízos e só encontrou o friso lateral torto, com uma massa de tinta branca. O HB20 teve sua lateral completamente rasgada. Descobrir essa fragilidade tão grande, que no cotidiano pode resultar em ferrugem rápida por conta de arranhões mais profundos, comuns na vida útil de um carro, foi realmente revolucionário.
  No segundo foi com um Novo Fiat Uno. O sujeito simplesmente ignorou a preferencial e avançou, meu amigo o pegou em cheio. Apesar de todas as barras de proteção, estrutura reforçara para a sua segurança e tudo mais, ele afundou as portas do Fiat, a frente do Escort, que na época do lançamento era considerado frágil, ficou praticamente intacta. E a falta de airbag não fez diferença... Incrível, não? Ele saiu ileso, feliz e saltitante por não ter comprado um "plastimobile" com pompa e apelo de testes de colisão que, francamente, doravante vou confiar pela metade.


  Estão entendendo por que o antigomobilismo, como toda a cultura retrô e vintage, está avançando tanto e com tanta força? Ninguém em sã consciência que viver em uma bolha estéril, protegido de tudo, de todos e da própria vida. O que vivemos hoje é algo pior que os pesadelos de Audous Huxley. Nós parecemos viver em uma era de tolerância e progressos pessoais, mas em nenhuma outra época um fabricante disse que o problema do carro é você, que você deve ser substituído em vez de educado e bem treinado. Em nenhuma outra época os preconceitos, os tabus,  o louvor a ditadores, a agressão a quem pensa diferente foi tratada abertamente como algo legítimo; até os anos noventa, gente assim era chamada de idiota em público. Hoje é só defensor de suas verdades bla-bla-bla e mimimi. Hitler usou "suas verdades" para justificar o que fez, viu!

  Está tudo uma droga, mas com rótulo de progressismo e esperança, para eles é o que vale.


  Não é de se admirar também, que as grandes montadoras americanas tenham voltado a fabricar peças, com tecnologias e padrão de usinagens modernos, de alguns de seus clássicos. Já é possível montar com peças novas e de fábrica, um Ford 1932, um Mustang Boss 1967, um Challenger 1969,um Camaro 1969, os gloriosos Bel Air de 1955 a 1957, entre outros. Pode comprar peças, ou encomendar o carro pronto, personalizado ao teu gosto. Custam cerca de cem mil dólares, os carros prontos para rodar, mas vendem, e vendem bem. Parece loucura, não? Mas não é. é a troca de uma cela segura pelos riscos de uma vida feliz... Nossa, que piegas! Adorei esta parte!


  Há ainda as tradicionais fábricas de kits, réplicas e estilizados, que vendem carrocerias de fibra de vidro ou carbono, além das de alumínio. O preço do carro completo é o mesmo dos clássicos, mas aqui o grau de personalização é muito maior. Pode-se comprar um Auburn ou Bugati boat tail com motor moderno, Chevy, Ford, Mopar ou até Maserati; este talvez o único motor italiano que eu respeito. Se as grandes montadoras não derem nos fundilhos dos covardes dos departamentos de marketing, serão facilmente substituídas a longo prazo por esses pequenos fabricantes!

  Finalizando, tenham na ponta da língua uma resposta pronta e seca para os paspalhos que não só vivem nessa bolha de aparente felicidade, mas querem te obrigar a entrar nela e detratam tanto teu modo de vida como o teu carro antigo: NINGUÉM ESTÁ TE OBRIGANDO A ENTRAR NO MEU CARRO. FIQUE NO SEU E NA SUA. Pode parecer mal educado, mas as pessoas estão desaprendendo a ler entrelinhas e respeitar negativas educadas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Quando o cabelo subiu à cabeça! Anos 60


  Não é raro, na verdade bastante comum, ver um registro dos anos sessenta, mais precisamente entre 1964 e 1968, onde mulheres com cabelos armados, muito altos. Não raro mais de vinte centímetros eram acrescentados à estatura, por causa do penteado extravagante.


  Como nasceu exactamente, não se pode afirmar com certeza, mas a moda que excedeu as raias do absurdo teve pontapé na arte, especialmente filmes e séries de ficção científica, onde o exagero é mais do que normal, é uma regra sacra.


  Das telas e das passarelas para as festas foi um pulo. As coisas começaram discretamente, um pouco de laquê para manter o volume, de vez em quando, manter as pontas viradas para cima, ajudar a firmar o penteado de uma cabeleira longa toda amontoada na cabeça, e o que era glamour ganhou toques de brega. Well, cada um tem ou deveria ter, a vida que quer viver, mas quem se expõe assume o risco de virar piada.


  O penteado daquele marciano de Marte Ataca, que se fantasiou de humana para se infiltrar, não foi um devaneio estilístico, aquele penteado realmente existiu e era utilizado na vida civil. Imaginem entrar em um carro comum com mais de dois metros d altura, metade deles só de cabelo! E o peso deslocado todo para cima, imaginem o que era fazer um gesto brusco ou mesmo se inclinar, fora o risco de tudo desabar!


  Sim, meus amigos e minhas amigas, era um risco que as mulheres assumiam com alegria, simplesmente porque se realizavam. Mais ou menos como uma boa moça que decide enfrentar o falatório e faz uma bela tatuagem em lugar bem visível. Claro que o penteado pode ser desfeito mais facilmente do que a tatuagem, mas é por aí.


  Também havia a euforia do optimismo sem precedentes do meio de século passado. "Eu posso" era o lema do ocidente, e de muitos lugares no oriente, especialmente nos Estados Unidos. Ainda mais com os avanços da era espacial. O grande problema era que o exagero ignorava os riscos de intoxicação do laquê, principalmente porque é aerossol, facilmente aspirado e alojado nos pulmões. Também por isso algumas ousavam e anexavam jóias ao penteado, um recurso tão arriscado quanto compensador, para quem sabe o que está fazendo. Neste caso, só para as festas mais glamorosas.


  Mas mesmo com volume avantajado, havia penteados que justificavam ir a um evento para vê-los. Sejamos justos, algumas verdadeiras obras de arte, por vezes minimalistas, escondiam a trabalheira que davam na elaboração. Eram penteados que combinavam muito bem com vestidos e ambientes refinados, mas perderam força quando as roupas começaram a ter cortes mais simples e as barras ficaram mais altas.


  A moda não durou muito, com os hippies veio a idéia com acento de vida natural, ser natural e os cabelos soltos, balançando e por vezes cobrindo o rosto, veio à tona. Isso aconteceu pelos idos de fins de 1968 e em fins de 1969 quase ninguém mais fazia esculturas capilares. Não para uso civil.


  Hoje é muito difícil encontrar quem saiba fazer esses penteados. na época não era barato, hoje a escassez de mão de obra os torna muito caros. Não se enganem, apesar de alguns parecerem simples, a execução é bastante elaborada, especialmente se a cliente dispensar o laquê! A seguir um penteado que não é exactamente básico, mas era dos mais simples e comuns para a noite... Às vezes até para o cotidiano.


quarta-feira, 15 de abril de 2015

A era atômica

Casa de Sacramento, anos 1950
  Tudo começou com o Sputinik em 1957, um satélite soviético usado para testar a viabilidade da comunicação orbital, na realidade o primeiro satélite artificial do mundo, e também o pontapé oficial para a rivalidade entre americanos e soviéticos. Foi quando as tecnologias começaram a descer em profusão dos laboratórios para as residências, como conseqüência também o início da obsolescência rápida, que muitos chamam in-de-vi-da-men-te de "programada". Com mais investimentos, os projectos acadêmicos e militares baratearam rápido e os artigos oferecidos no ano passado, logo sofriam melhorias significativas, fartamente alardeadas e exageradas pelas agências publicitárias.

  Foi ainda no fim da guerra, porém, que o surto de um optimismo que beirava o absurdo tomou conta do mundo ocidental. Hélices começaram a ser substituídas por jactos, o forno de microondas levou a tecnologia dos radares para a cozinha, a televisão se popularizou de forma assustadora, o rádio estava cada vez menor e mais barato, os aparelhos de telephone ganhavam cores e formas que pareciam saídas de sonhos, e os carros, ah, os carros... Meus amigos, foram quase três décadas de êxtase. As pessoas se atiraram no sonho coletivo de paz e prosperidade como nunca na história, especialmente com a promessa (quebrada) de um governo mundial central, com o advento da ONU. As pessoas queriam, pelo menos em uma época de nossa história, construir um mundo melhor, não somente um futuro melhor para si e os seus.


  Os cientistas, engenheiros e técnicos que proporcionaram tudo isso, foram os garotos que cresceram lendo Buck Rogers e Flash Gordon, com toda a influência do art déco em suas infâncias, mas querendo se desvencilhar do pessimismo que marcou o período entre guerras. Idéias mirabolantes não faltaram. Um desejo comum entre eles era compensar o trauma da Segunda Guerra Mundial, porque muita gente pelo menos conhecia alguém que perdeu o pai, ou os pais no conflito. De certa forma eles conseguiram, até bem demais, lograr êxito. Criaram um conto de fadas científico e as pessoas não estavam preparadas para ele, nem para largar dele.

  De repente alguém, se deu conta de que os prédios não precisavam ser necessáriamente quadrados, que as pessoas não eram leite, para justificar o aproveitamento quase absoluto de cada milímetro cúbico de uma caixa, que o cidadão médio estava se entediando e até se deprimindo com os rigores da busca pela eficiência, precisava urgente viver em uma casa feita pra se viver, não apenas para se habitar. Alguns efeitos colaterais vieram, a fé cega na ciência fez surgir a máxima "Se é remédio, só faz bem", contrariando a sabedoria milenar "A diferença entre o remédio e o veneno, é a dose", e as pessoas passaram a comprar felicidade química na drogaria mais próxima, crentes de que a eliminação do sintoma resolveria tudo, e que nada de mal aconteceria. Foi nesta época também que a indústria do tabaco teve a confirmação de que o cigarro mata, e escondeu de todo mundo o quando pôde, para depois se fazer de vítima de ativistas mal intencionados.


  As formas passaram a ser inspiradas na ciência e na tecnologia de ponta. Os carros começaram a imitar os aviões, até com exageros, enquanto a arquitetura começou a se guiar pelos esboços de estações e colônias avançadas no espaço e em outros planetas. Casas com  a forma de módulos, que seriam encaixados de acordo com as necessidades da colônia, como tijolinhos lego, que são desta época, outras em forma dos prosaicos monitores de computador da época, outras ainda imitando discos voadores. Em alguns casos, como o aeroporto internacional de Los Angeles, a inspiração do arquiteto tornou-se não só um sucesso, como referência de uma tendência que ecoaria até meados dos catastróficos anos setenta, quando se descobriu qua uma usina nuclear poderia sim vazar e ameaçar tudo a centenas de quilômetros de distância. Descobriram que a ciência não era inofensiva.


  Escadarias residenciais externas, algumas sem corrimão, outras aparentando flutuar, dando o aspecto de leveza de uma nave espacial, que tem o estritamente necessário e usa materiais ultra resistentes para poderem ser usados em pequenas quantidades, poupando combustível e capacidade de carga. Isso se refletiu também na decoração. Tudo tinha inspiração espacial, de algo movido por energia atômica, ainda que os mecanismos internos fossem os centenários motores de indução ou mesmo de molas. Mas era necessário se preparar para morar no espaço, então tratava-se de se acostumar ao ambiente espacial... Ou o que se julgava ser um ambiente espacial plausível. Quem já viu vídeos da estação espacial internacional, sabe que há um caos aparente que em nada lembra a limpeza de linhas e formas daquela época.

Los Angeles International Airport

  Assim como estrelas e outros corpos celestes gigantescos, o microscópico também servia de referência, porque parecia qua finalmente a medicina estava dominando a doença; ledo e fatídico engano. Mesas de centro e móbiles em forma de paramecios, sofás assimétricos como uma ameba simplificada, combinando com estampas de forros e papéis de parede, que remetiam aos átomos e à radiação atômica, bem como aos gráficos complexos, mas aqui de forma simplificada e simétrica, dos aparelhos ultra sofisticados que começavam a infestar hospitais, oficinas, quartéis e filmes de ficção.

Atômico até na hora de comer

  Vendo nas revistas o que seriam as plataformas de lançamento de foguetes, completamente diferentes das reais, mas muito utilizadas no lançamento de mísseis, o mundo viu proliferar as fachadas e até construções inteiras baseadas neste conceito, que se na época era tão bonito quando pouco prático, com as águas convergindo para dentro, hoje seriam muito úteis na coleta de água da chuva. O facto é que a engenharia de materiais estava engatinhando, e o melhor daquela arquitetura só pode ser usufruído hoje, quando o clima é exactamente o contrário, as pessoas se entopem com entorpecentes mesmo sabendo que farão mal, grupos se unem por uma causa quase sempre só pensando NA MAIS TRISTE E DURA VERDADE em seus próprios umbigos, para garantir seus próprios caprichos, enfim... As pessoas nunca foram melhores, mas houve época em que tentaram ser, não para garantir seu direito, mas para serem melhores mesmo.

Sim, é o aconchegante quartinho atômico do bebê

  Se por um lado o delírio de um optimismo exacerbado trouxe uma decepção abrupta e uma depressão, que só cresce e alimenta as mazelas desta época, por outro financiou as bases de todos os absurdos avanços tecnológicos que mal conseguimos acompanhar, como um computador realmente melhor e mais poderoso surgir a cada seis meses ou antes, se bem que seria melhor e menos insano usar um avanço para aprimorar mais os seguintes e esperar ao menos um ano entre cada tablet novo.

Sua Majestade Imperial o Consumidor

  Tudo o que temos hoje, teve início naquelas três frenéticas e desgastantes décadas. Foi quando a válvula começou a dar lugar ao transístor, quando os plásticos se tornaram fortes e seguros o bastante para servirem de estrutura, quando os tecidos sintéticos começaram a ter qualidade apreciável, a usinagem começou a ficar realmente precisa... Na verdade, em muitos aspectos a mentalidade de então era mais moderna do que a vigente.


  De uma hora para a outra, os eletrodomésticos se tornaram baratos, compactos e práticos. Da noite para o dia dezenas de motores eléctricos invadiram as casas, os serviços domésticos ficaram mais fáceis e sobrou mais tempo para actividades pessoais, como ver I Love Lucy Show ou ir às compras. Ou ir às compras depois de ver as roupas e os comerciais do programa. Um dos problemas mais imediatos e longevos, é que tudo parecia ir tão bem, tudo parecia ser tão perfeito, que as pessoas se recriminavam se não parecessem plenamente felizes o tempo inteiro. Vem daí a mania de chamar de "opressora" a estética dos anos cinqüenta, mas quem diz isso só conhece ou quer mostrar metade da história, uma hora conto ela toda a vocês. Podem usar seus modelitos lindos e cinturados sem medo, não é crime.

Um dos melhores sites do gênero no mundo

  O turismo internacional se tornou fácil, principalmente para os americanos, mas fácil mesmo, a ponto de qualquer cidadão de classe média fazer viagens que seus pais só ouviam falar de magnatas, artistas de cinema e figurões do governo. O mundo tornou-se pequeno e a sede do espaço e do fundo do mar se tornou mais intensa, era preciso dar vazão a essa ansiedade e o cidadão estava disposto a pagar por isso. Nem tudo deu certo, hoje sabemos, mas a vontade coletiva de evoluir foi uma coisa linda de se ver.

1956 Ford Mystere concept car
  Para não dizer que tudo se perdeu, pelos avanços técnicos tardios, para quem quiser construir o futuro que o passado prometeu, já existem meios para isso. Se nos anos setenta um carro eléctrico não rodava mais de 80km nem com vento em popa, hoje 170km são uma autonomia básica, menos do que isso dificilmente vende. Os aços de alta liga, com super metais como Nióbio, Molibdênio, Titânio, Vanádio e o quase indestructível Tungstênio, custam uma fração do que naquela época, pode-se construir prédios com vãos livres e sacadas imensos. Dependendo do talento do engenheiro e da verba, dezenas de metros de uma varanda fixada apenas na base.


  Para quem se dispuser a construir seu sonho vintage, a era atômica pode se tornar realidade hoje. um modo simples de atomizar um ambiente, é pegar delgados losangos em tons terrosos e dispor ordenadamente ao longo de uma estante, por exemplo, e colocar um círculo excêntrico em cada um. Parece simples demais, mas o efeito é imediato e salta aos olhos. Não é difícil, basta digitar "atomic era" no google images, se preciso seguido do tema específico, e uma miríade de imagens belíssimas e sites interessantíssimos se abrirão ao seu dispor, fazendo da máquina um servo gentil e prestativo para seus amos de carne e osso, exactamente como queriam os criadores da era atômica.